quinta-feira, 6 de março de 2014

A última despedida.

Olá,
Bom, esse tema eu estava para escrever desde quando eu comecei o Blog, é um tema um pouco "delicado" digamos, então não irei me antecipar logo aqui, só irei dizer que tinha apenas 9 anos. Vejam.

31 de agosto de 2009.

Era segunda-feira, descobri isso quando acordei e me deparei com o meu pai dormindo ao meu lado, simplesmente porque a folga dele era somente na segunda. Lembrei que tinha aula e fui direto para o banheiro tomar banho. Pronta para a escola, meu pai acordado já com uma das alças da minha mochila no ombro, olhou para mim e disse: "Está linda, filha!". Fomos para a minha avó (mãe do meu pai), já que era apenas 12:30 e eu entrara às 13:00. Almoçamos como toda segunda, e meu pai foi me levar até à escola. Na fila até o portão da escola ele, como de costume, disse que viria me buscar, e me deu um beijo na testa.
Passei o meu dia na escola normalmente, porém com uma sensação estranha.
Na saída eu procurava pelo meu pai, procurava o jeito dele andando ou até mesmo correndo para fazer graça. Mas não o vi, avistei minha prima de longe, e ela disse que meu pai não podia vir me buscar por ter acontecido um pequeno acidente com ele, mas ela me pediu segredo, e na minha cabeça só veio uma pergunta: "Ele está vivo?", e minha prima fez que sim.
Na casa da minha avó paterna só via pessoas desesperadas e chorando, e eles pensando que eu não sabia do que haveria acontecido, falavam que estava tudo bem.
Não demorou muito para que meu primo chegasse e me levasse para a casa, que quando eu cheguei, aparentemente minha avó materna não sabia de nada, pois até estranhou minha presença mais cedo. Meu primo disse que queria conversar com a minha avó materna sozinho, e pediu para que eu subisse para minha casa, porém não o fiz. Fingi que subi e esperei ele entrar, logo depois fiquei debaixo da janela, quando escutei a seguinte frase: "O pai da Gabriela morreu!". Para mim já tinha bastado, subi para casa e me desabei no choro, mesmo sabendo que meu pai tinha falecido, fechei os meus olhos e pedi para Deus que não o deixasse morrer, porém como deu pra perceber, sem nenhum sucesso.
Alguns minutos depois ouvi a voz da minha tia e dos meus primos, sequei as minhas lágrimas e lavei o rosto para não demonstrar uma cara de choro. Falei para ela que estava com dor de cabeça, ela me deu um remédio. Não mais que 30 minutos depois, todos já estavam reunido no portão, e eu só ouvia coisas como: "Como assim o Cristiano morreu?" "Como aconteceu isso?"... E logo depois vejo a minha mãe descendo em direção a mim chorando muito, e como eu já sabia de tudo, eu chorava, e só conseguia pronunciar a palavra "não". No dia seguinte se não me engano foi o enterro, para mim foi outro choque. Vi um caixão na minha frente, e, como nunca tinha ido em qualquer enterro achei aquilo extremamente desconfortante. Alguns minutos depois, veio um homem abrir o caixão. Quando vi o meu pai, deitado naquele caixão eu tive as minhas piores sensações, eu abaixei quase sentando no chão e chorei feito uma menina louca, não sabia o que iria acontecer da minha vida de lá para frente. Enquanto velávamos o corpo, minha mãe pediu para que eu passasse a mão nele, mas não o fiz, tive medo.
Quando caiu a minha fixa mesmo, foi quando chegou a hora do enterro, é lá, naquele buraco de forma retangular junto com pessoas que amamos e que amava ele, que percebemos que nunca mais iriamos ver ele. Não iriamos ouvir a risada dele, não iriamos ver ele fazendo palhaçadas, simplesmente não iriamos nunca mais ver ele. E foi no enterro a minha última despedida.


Bom gente, é um tema forte, concordo. Isso é um pouco do que aconteceu comigo, então espero que tenham, não gostado, mas que pelo menos tenha uma visão como eu, não vejam os seus problemas como os maiores do mundo, eu pensava que não ter um pai era o maior problema do mundo, mas eu comecei a olhar ao meu redor e vi que eu apenas não tenho o meu pai, mas tenho minha mãe, os meus amigos, toda a minha família dos dois lados me apoiando, já outras pessoas, são órfãos, sem ninguém para apoia-los e muitas vezes são discriminados por não ter uma família. Então é isso, levem esse pensamento com vocês. Beijos, e até o próximo Ssh, is a secret!.

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